Para algumas pessoas este assunto pode parecer tão pessoal que nunca o partilham com ninguém. Não é o meu caso.
Para os mais sensíveis não vale a pena continuarem a ler, pois a minha primeira vez pode ser difícil de imaginar.
A minha primeira vez foi programada. Altamente intencional, e com uma preparação de 3 semanas - que posso adiantar, foram passadas com alguns nervos e ansiedade - eu sabia (mais ou menos) a teoria do que iria acontecer, quando e como, e qual seria o meu papel em tudo isso.
A minha primeira vez foi diferente da maioria. Não fui a única, e éramos cerca de 7 pessoas, todas elas preparadas para o mesmo. Mas não nos iriamos cruzar até termos terminado.
Cheguei ao local combinado e à hora marcada, e fui muito bem recebida, por alguém que prontamente me disse para tirar a roupa.
Muito sinceramente apesar das 3 semanas de preparação que tive, nada te prepara para aquele momento.
Mas assim fiz.
Despi cada peça de roupa e dobrei cada uma meticulosamente para arrumar num cacifo que me foi indicado.
Despi cada peça de roupa e dobrei cada uma meticulosamente para arrumar num cacifo que me foi indicado.
Enquanto isso conseguia ver outras raparigas a passar com apenas um tecido branco por cima de seus ombros, com os olhos tão carregados de medo como os meus.
Decidi prontamente optar pela abordagem humorística, e dizer algumas piadas sem graça e em seguida fui levada para outra sala.
Nessa sala foram-me apresentadas as mulheres e homens que iriam partilhar a minha primeira vez.
Um coletivo de gente a meu ver, mas apenas 5 na totalidade, 3 senhoras e 2 senhores.
Uma das senhoras - loira, alta, com um ar muito sério - não tirava os olhos das minhas pernas. Uma outra senhora - mais baixinha e velha - gentilmente pegava na minha mão e dava. umas palmadinhas, como se me estivesse a preparar para o que aí vinha. Um dos senhores - alto, gentil, deveria ter os seus 30 anos - sorria enquanto dizia que ‘’tudo ia correr bem’’.
Trocavam olhares e algumas palavras entre si, enquanto eu ali especada de pé no meio da sala, tentava perceber o que se passava, mesmo por cima da euforia do meu próprio batimento cardíaco. E tentava responder a algumas das perguntas que me iam fazendo com algum humor e pericia.
E enquanto isso continuava a ver passar as outras raparigas no corredor. Conseguia ouvir outras senhoras e senhores a fazerem preparativos para outras salas - o que não ajudava em nada o meu nervosismo.
Acompanharam-me até a sala onde tudo se iria passar. É uma sensação esquisita estar deitada no meio de uma sala, em branco, com tantas coisas à volta, e tanta gente a observar e a querer participar. Mas assim fiz, conforme me pediram, até onde me consigo lembrar.
Acordei passado algum tempo, e sinceramente pensava que tudo não tinha passado de um sonho. Estava confusa demorei um pouco a aperceber-me onde estava. Sentia-me cansada. Vi duas das raparigas com que anteriormente me tinha cruzado, deitadas, ainda a repousarem, despenteadas e com ar acabado assim como eu.
A senhora que inicialmente me agarrava na mão para me acalmar, agora trazia-me um iogurte e dizia que correu tudo bem, para eu descansar mais um pouco.
Era tudo muito estranho, mas dois dias depois consigo ver que tudo correu bem, e agradecer à simpatia de todos os que estavam presentes e que tornaram um momento tão difícil em algo divertido!
A quem leu o texto até ao fim, acabei de partilhar com vocês a minha primeira vez... na sala de operações ;)
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